segunda-feira, julho 18, 2005

Aprenda a falar de economia em 3 minutos ou devolvemos o seu dinheiro

Este post destina-se a todos aqueles que querem fazer boa figura numa conversa de café em que o tema é a economia ou algo relacionado, mas não estão dispostos a perder mais que três minutos a estudar a ciência. Seguem-se algumas frases de figuras públicas, todas elas muito recentes. Servem para ilustrar o método de aprendizagem.

1º passo: Dizer o óbvio.

“A questão da despesa pública não é apenas um problema orçamental. Trata-se de um problema muito sério que condiciona fortemente a evolução da economia portuguesa.”
Mira Amaral

Alguma dúvida até agora?

2º passo: Dizer algo irrefutável.

“A recuperação da competitividade implica uma nova estrutura de produção e uma nova atitude do Estado, dos empresários e dos trabalhadores.”
Teodora Cardoso

Quem pode discordar desta afirmação? Esta mulher é um mister. - Se já lhe viram a cara percebem do que falo.- Todos concordamos que a Dra. Ferreira Leite poderia muito bem ter dito esta frase, certo? Agora imaginem o Dr. Francisco Louçã no final de um comício no Casal Ventoso, em que defende a construcção de uma sociedade pan-europeia baseada nas conquistas sociais da Coreia do Norte, terminar o seu discurso em apoteose com a frase “A recuperação da competitividade implica uma nova estrutura de produção e uma nova atitude do Estado, dos empresários e dos trabalhadores.”. Fica bem, não fica? Não destoa.

3º passo: Dizer algo ininteligível.
(Só chega tão longe quem é incapaz de dominar a conversa nos passos anteriores. É a derradeira hipótese para os bananas pseudo-intelectuais desta nossa terra.)

“O turismo tem que se desenvolver a partir da consideração de todas as relações inter-sectoriais que se estabelecem e da afirmação de uma identidade e de uma marca portuguesa da oferta.”
Jorge Sampaio

O meu comentário é tão somente “Hã!?”. E podem citar-me. Pode à primeira vista parecer uma frase inteligente, mas quem a ler três vezes de seguida apercebe-se de que nada significa.

Uma recomendação final…
Evite entrar em contradição consigo próprio. A não ser que tenha mesmo que ser. Nesse caso, siga o seu instinto e faça como o cronista do Jornal de Negócios António Mendonça.


“Com efeito, o que parece faltar à política económica que tem sido praticada nos últimos anos é uma ideia clara de para onde se quer ir como país e como economia(…)

(Dois parágrafos depois e muita letra discorrida)

“Uma primeira preocupação deve ser a procura de centralidade no contexto europeu e global (...) e criar factores que dêem visibilidade ao país e, sobretudo, que o tornem importante no contexto das relações económicas internacionais. Esta centralidade passa necessariamente pela procura do reforço das relações com o exterior da Europa, designadamente com a América do Norte e, em especial, passa pela exploração do potencial que está associado à criação de um espaço de integração económica lusófona, para já no triângulo atlântico da África e do Brasil, mas também com projecção para a Ásia, em direcção à Índia e à China.”

Ou seja, ter a ideia clara de que é para ir a todas. Sim senhor. Quem fala assim não é gago…

2 Comments:

At 2:34 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Não é gago, mas parece.

 
At 3:39 da tarde, Blogger Frei del Shot said...

Regista-te, cachopa! Já voltaste?

 

Publicar um comentário

<< Home