quinta-feira, julho 28, 2005

Soares garante que está a pensar

Soares garante que está a pensar

Presidenciais: Jovens saudaram ex-presidente com "Soares é fixe". Socialista admite já ter feito contactos

"Soares é fixe!". O antigo "slogan" na campanha eleitoral de Mário Soares para as presidenciais de 1986 voltou ontem a ecoar na Figueira da Foz, onde até ao final do mês decorre o acampamento de Verão dos jovens socialistas europeus, o ECOSY 2005.Largas centenas de jovens socialistas, portugueses e estrangeiros, esperavam o antigo presidente da República, que foi recebido em ambiente apoteótico. Mas Soares apenas disse "Estou a reflectir (sobre uma eventual candidatura a Belém) e hei-de responder numa altura oportuna". Aos jornalistas, o ex-chefe de Estado admitiu já ter contactado alguns sectores "políticos, sociais, económicos e culturais" da sociedade portuguesa. "Tenho tido muitos apoios de todos os sectores, mas isso ainda não chega. Preciso de todos os elementos para avançar" afirmou, sem quer contudo especificar a que "elementos" se referia.Acerca da possibilidade de anunciar a candidatura em Setembro, apenas afirmou"Não estou apressado. Não tenho prazo definido para decidir se concorro ou não".Questionado sobre se o PS deveria ter lançado antes o seu nome como eventual candidato, Soares foi peremptório "Eu disse sempre que não queria voltar a concorrer. Foi preciso que houvesse realmente muitas falhas (interna do PS) para eu depois ponderar uma eventual candidatura".

segunda-feira, julho 25, 2005

Presidência aberta

«Mário Soares está a ser fortemente pressionado por diversos sectores para protagonizar uma candidatura presidencial com capacidade de federar a esquerda. Fontes que lhe são próximas garantem que o antigo Chefe do Estado e fundador do PS "não é pessoa de ser insensível a tudo isto e ao País"e que por isso está a avaliar a situação. Soares, que tem 80 anos, continua a dizer que "não quer" avançar para Belém, mas a vaga de fundo ao seu redor pressiona-o a aceitar cumprir um mandato de cinco anos. A situação à esquerda precipitou-se nos últimos tempos. Nomes como Guterres e Vitorino afastaram-se e a disponibilidade manifestada por Freitas e Manuel Alegre não fez diminuir, pelo contrário, as pressões sobre Mário Soares. Esta candidatura é vista como a única forma de se conseguir "barrar o caminho" a Cavaco Silva. E até o timing para o anúncio já está a ser traçado no final do Verão, antes das eleições autárquicas, e antes do prazo definido pelo próprio Cavaco para avançar.»
in Diário de Notícias

Aqui se vê a mesquinhez de certas mentes. Avançar não com um projecto, mas contra uma pessoa.

«O primeiro-ministro, José Sócrates, reiterou hoje indirectamente o seu apoio a uma candidatura de Mário Soares à Presidência da República, sublinhando que "o que tinha a dizer está dito".
Em declarações ao "Jornal de Notícias", publicadas ontem, José Sócrates afirmou que Mário Soares terá todo "o apoio no PS e no país" se estiver disponível para se candidatar às presidenciais de Janeiro de 2006.
"O que é que acham? Que eu ia desmentir o que eu disse?", afirmou José Sócrates, quando questionado pelos jornalistas sobre estas afirmações, à entrada para uma visita ao Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa.»
in Público

Este comentário sobre desmentidos até parece mentira! Mas foi mesmo o que ele disse.

«Quando vierem para cima da mesa as posições ultra-radicais de Soares, expressas nos últimos anos, em directa contradição com as posições do PS, perceber-se-á porque razão digo que Soares é a certeza, insisto, a certeza, da instabilidade política para o governo actual. Não é só a natureza das posições de Soares, é o dogmatismo e a irritabilidade com que as defende. Soares na Presidência não actuará contra o PS, porque tem uma cultura jacobina de partido, mas será frontalmente contra “este” PS. Só não vê quem não quer ver.»
Pacheco Pereira in www.abrupto.blogspot.com

«Uma candidatura de Mário Soares apresenta várias vantagens. Por um lado, contra Cavaco Silva, este tacticista político que se tem vindo a recobrir de um véu de professor severo, ausente e moralista, Soares não teria dificuldades em desmascarar a figura. Por outro lado, Soares tem neste momento a idade e a sabedoria necessárias para se colocar acima de um determinado nível de confronto e isso só tornaria a própria campanha eleitoral mais digna, acompanhando uma nova ideologização do discurso político, que tem estado reduzido ao pragmatismo da calculadora, quando não do lápis atrás da orelha. Soares seria também o melhor presidente para acompanhar um governo de Sócrates, de quem não foi apoiante, que tem por missão essencial preparar o País para as próximas décadas e fazê-lo assumir inquestionavelmente um percurso de desenvolvimento. Mário Soares, que se vê, e legitimamente, como "pai da democracia", sabe que o seu legado político e moral ficaria incompleto se, podendo intervir, ficasse a ver à janela um País adiado.»
Miguel Romão in A Capital


Campanha eleitoral mais digna? Tacticista? Desmascarar a figura?Ahahahahahahahahahahahahahah!!! LOL!!!

E a paz no mundo aqui tão perto...

segunda-feira, julho 18, 2005

Aprenda a falar de economia em 3 minutos ou devolvemos o seu dinheiro

Este post destina-se a todos aqueles que querem fazer boa figura numa conversa de café em que o tema é a economia ou algo relacionado, mas não estão dispostos a perder mais que três minutos a estudar a ciência. Seguem-se algumas frases de figuras públicas, todas elas muito recentes. Servem para ilustrar o método de aprendizagem.

1º passo: Dizer o óbvio.

“A questão da despesa pública não é apenas um problema orçamental. Trata-se de um problema muito sério que condiciona fortemente a evolução da economia portuguesa.”
Mira Amaral

Alguma dúvida até agora?

2º passo: Dizer algo irrefutável.

“A recuperação da competitividade implica uma nova estrutura de produção e uma nova atitude do Estado, dos empresários e dos trabalhadores.”
Teodora Cardoso

Quem pode discordar desta afirmação? Esta mulher é um mister. - Se já lhe viram a cara percebem do que falo.- Todos concordamos que a Dra. Ferreira Leite poderia muito bem ter dito esta frase, certo? Agora imaginem o Dr. Francisco Louçã no final de um comício no Casal Ventoso, em que defende a construcção de uma sociedade pan-europeia baseada nas conquistas sociais da Coreia do Norte, terminar o seu discurso em apoteose com a frase “A recuperação da competitividade implica uma nova estrutura de produção e uma nova atitude do Estado, dos empresários e dos trabalhadores.”. Fica bem, não fica? Não destoa.

3º passo: Dizer algo ininteligível.
(Só chega tão longe quem é incapaz de dominar a conversa nos passos anteriores. É a derradeira hipótese para os bananas pseudo-intelectuais desta nossa terra.)

“O turismo tem que se desenvolver a partir da consideração de todas as relações inter-sectoriais que se estabelecem e da afirmação de uma identidade e de uma marca portuguesa da oferta.”
Jorge Sampaio

O meu comentário é tão somente “Hã!?”. E podem citar-me. Pode à primeira vista parecer uma frase inteligente, mas quem a ler três vezes de seguida apercebe-se de que nada significa.

Uma recomendação final…
Evite entrar em contradição consigo próprio. A não ser que tenha mesmo que ser. Nesse caso, siga o seu instinto e faça como o cronista do Jornal de Negócios António Mendonça.


“Com efeito, o que parece faltar à política económica que tem sido praticada nos últimos anos é uma ideia clara de para onde se quer ir como país e como economia(…)

(Dois parágrafos depois e muita letra discorrida)

“Uma primeira preocupação deve ser a procura de centralidade no contexto europeu e global (...) e criar factores que dêem visibilidade ao país e, sobretudo, que o tornem importante no contexto das relações económicas internacionais. Esta centralidade passa necessariamente pela procura do reforço das relações com o exterior da Europa, designadamente com a América do Norte e, em especial, passa pela exploração do potencial que está associado à criação de um espaço de integração económica lusófona, para já no triângulo atlântico da África e do Brasil, mas também com projecção para a Ásia, em direcção à Índia e à China.”

Ou seja, ter a ideia clara de que é para ir a todas. Sim senhor. Quem fala assim não é gago…