Uma longa interrogação
“mas teoria económica, não passa disso mesmo, tens que ter isso em atenção
na prática existem especificidades que influenciam de forma distinta as variáveis
este vai ser o meu comentário
loll
mm sem ler”
drseven (22/06/04)
Este é um excerto de uma conversa entre mim e o professor numa sessão de Messager antes de um muito desiquilibrado joguito de damas que o aluno perdeu. Apenas tenho a dizer que a Economia é uma ciência social, mas não deixa de ser uma ciência - segue o método descartesiano de formulação teórica, teste e observação de resultados. Os factos estilizados de Kaldor ou mesmo a econometria são disso exemplo.
Acho piada quando na televisão, rádio e imprensa escrita aparece toda a gente a dar bitaites sobre economia. Eles são juristas, jornalistas, psicólogos e historiadores. Há de tudo, tirando economistas, é claro. Eu cá acho que "cada macaco no seu galho" é que é bom. Mas posso estar errado. Isto pode ser uma coisa boa. Mas aguardo com alguma expectativa o dia em que no telejornal irá a dra. Manuela Ferreira Leite explicar o inovador método na construção de uma nova ponte sobre o Tejo ou o prof. Érnani Lopes aprofundar os avanços tecnológicos que permitiram a fusão nuclear...
As pessoas não gostam de tecnocratas. Até o nome assusta. E os media, por arrasto, não gostam do que os consumidores não gostam. Os tecnocratas são aborrecidos e não dão audiências. Tal como um adepto de futebol compra o jornal desportivo que mais bem diz do clube do coração, também os telespectadores ligam apenas ao que querem ouvir. E isso reflecte-se na qualidade de informação disponível. Daí a importância de uma forte e independente Alta Autoridade para este meio.
Eu gosto de tecnocratas. Os tecnocratas dão números e oferecem uma interpretação. Os políticos vendem sonhos. Cada novo primeiro-ministro diz que isto está uma merda e que vai ser ele a pôr a casa em ordem. É só preciso acreditar nele e na sua política. E então lá vêm eles dar a extrema unção ao país e oferecer o perdão pelos nossos pecados. É só fazer penitência (apertar o cinto) e a salvação está garantida. Eu no governo quero governantes. Se quiser actos de fé vou à Igreja. E ainda para mais esta nova religião está cheia de padres hipócritas: Faz o que eu digo, não o que eu faço.
Há quem diga que sou pessimista e que o meu copo está meio vazio. Mais de metade da população portuguesa acredita que um défice orçamental é, em si mesmo, uma coisa boa. "Afinal de contas, injecta dinheiro na economia... A gestão da conjuntura suaviza o ciclo económico." Qual foi o último ano em que Portugal apresentou um orçamento equilibrado? Política conjuntural? A mim parece bem estrutural!!! Quais são os países europeus com melhores índices de competitividade? Quais são os respectivos défices orçamentais? Quem se interessar que procure...
A estupidez é definida como o repetir os mesmos erros vezes sem conta sem nunca mudar de procedimento. Algum dia aprenderemos? E se sim, quando será o corte? Com os défices, com os políticos, com o passado. Para quando os amanhãs que cantam?

1 Comments:
Quanto à teoria económica tenho duas palavras para ti caro aluno... ceteris paribus, amigo, ceteris paribus. Eu gosto da forma como chamas ignorante a mais metade da população portuguesa, acredito mesmo que qd dizes mais de metade, podes mesmo chegar aos 100%. Hold on my baby. A quem interessar que pergunte. AHAH
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