terça-feira, junho 21, 2005

Uma longa interrogação

“mas teoria económica, não passa disso mesmo, tens que ter isso em atenção
na prática existem especificidades que influenciam de forma distinta as variáveis
este vai ser o meu comentário
loll
mm sem ler”
drseven (22/06/04)


Este é um excerto de uma conversa entre mim e o professor numa sessão de Messager antes de um muito desiquilibrado joguito de damas que o aluno perdeu. Apenas tenho a dizer que a Economia é uma ciência social, mas não deixa de ser uma ciência - segue o método descartesiano de formulação teórica, teste e observação de resultados. Os factos estilizados de Kaldor ou mesmo a econometria são disso exemplo.

Acho piada quando na televisão, rádio e imprensa escrita aparece toda a gente a dar bitaites sobre economia. Eles são juristas, jornalistas, psicólogos e historiadores. Há de tudo, tirando economistas, é claro. Eu cá acho que "cada macaco no seu galho" é que é bom. Mas posso estar errado. Isto pode ser uma coisa boa. Mas aguardo com alguma expectativa o dia em que no telejornal irá a dra. Manuela Ferreira Leite explicar o inovador método na construção de uma nova ponte sobre o Tejo ou o prof. Érnani Lopes aprofundar os avanços tecnológicos que permitiram a fusão nuclear...

As pessoas não gostam de tecnocratas. Até o nome assusta. E os media, por arrasto, não gostam do que os consumidores não gostam. Os tecnocratas são aborrecidos e não dão audiências. Tal como um adepto de futebol compra o jornal desportivo que mais bem diz do clube do coração, também os telespectadores ligam apenas ao que querem ouvir. E isso reflecte-se na qualidade de informação disponível. Daí a importância de uma forte e independente Alta Autoridade para este meio.

Eu gosto de tecnocratas. Os tecnocratas dão números e oferecem uma interpretação. Os políticos vendem sonhos. Cada novo primeiro-ministro diz que isto está uma merda e que vai ser ele a pôr a casa em ordem. É só preciso acreditar nele e na sua política. E então lá vêm eles dar a extrema unção ao país e oferecer o perdão pelos nossos pecados. É só fazer penitência (apertar o cinto) e a salvação está garantida. Eu no governo quero governantes. Se quiser actos de fé vou à Igreja. E ainda para mais esta nova religião está cheia de padres hipócritas: Faz o que eu digo, não o que eu faço.

Há quem diga que sou pessimista e que o meu copo está meio vazio. Mais de metade da população portuguesa acredita que um défice orçamental é, em si mesmo, uma coisa boa. "Afinal de contas, injecta dinheiro na economia... A gestão da conjuntura suaviza o ciclo económico." Qual foi o último ano em que Portugal apresentou um orçamento equilibrado? Política conjuntural? A mim parece bem estrutural!!! Quais são os países europeus com melhores índices de competitividade? Quais são os respectivos défices orçamentais? Quem se interessar que procure...

A estupidez é definida como o repetir os mesmos erros vezes sem conta sem nunca mudar de procedimento. Algum dia aprenderemos? E se sim, quando será o corte? Com os défices, com os políticos, com o passado. Para quando os amanhãs que cantam?

1 Comments:

At 9:43 da manhã, Blogger DrSeven said...

Quanto à teoria económica tenho duas palavras para ti caro aluno... ceteris paribus, amigo, ceteris paribus. Eu gosto da forma como chamas ignorante a mais metade da população portuguesa, acredito mesmo que qd dizes mais de metade, podes mesmo chegar aos 100%. Hold on my baby. A quem interessar que pergunte. AHAH

 

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