segunda-feira, junho 13, 2005

Triste...

Vou contar-te uma coisa. Desculpa estar a tratar-te com tanta familiariedade, mas como somos apenas dois a ler este blog, acho que posso dirigir-me a ti desta forma. Não sei quem és, mas não deves ter nada para fazer e isso eu respeito. Também se tivesses alguma coisa para fazer, podias fazer na mesma, só que mais tarde. E quem sabe, por essa altura, podia ser que alguém já o tivesse feito por ti.

O Toy, esse portento mal amado da música portuguesa, que ninguém vê, mas que garanto estar por detrás de muita produção musical, segundo ele próprio comentou, está de volta. Antes de mais, a garantia de que ele anda por aí a produzir e editar outros é dada por ele próprio e pelo facto de, apenas ele, ser capaz de produções tão estridentes e ensurdecedoras como as que se ouvem por aí, nesta altura de festas populares.

Mas o Toy está de volta, e antes não estivesse. Ex-emigrante na Alemanha, este país abriu-lhe os olhos para as oportunidades da vida, e para ele ainda bem. E como oportunidades na vida há poucas, o seu olhar felino para os negócios levou a iniciar as suas cantorias em moldavo. O homem é um poliglota dos purinhos.
A canção chama-se Triste. O que justifica o intérprete. Podia chamar-se outra coisa. Tipo Parvo, ou isso... Mas não. Chama-se Triste. Embora não se conheça ainda a versão portuguesa da letra nem a melodia, consta que se trata de um rearranjo da música Olhos de Água, com letra de uma autobiografia. Triste. Triste.

Pois é, moldavo. Esse grande mercado dos países moldavofonos, (esta palavra é gira), ainda estava por explorar. A ideia principal é também controlar as rádios moldavas (pois moldavas mas não moldas, que eu não quero). A par desta iniciativa, vai surgir também uma rede de clínicas de otorrinolaringologia e de psiquiatria, por forma a explorar os mercados a jusante. No mínimo engenhoso, o plano. É que deve ser uma tortura digna de gente sem coração. Para além de 2 acordes em ré maior, a pronúncia, no mínimo faz perder o uso da razão a qualquer moldavo, mas mesmo daqueles da Moldávia. Triste sem coração. Mas é triste o sofrimento destas gentes que emigraram para o nosso país em busca de melhor futuro, e têm que levar com este gajo.

Mas nem tudo é mau.

Esta medida surgiu da concertação do Ministério da Justiça, com a Secretaria de Estado da Emigração, e tem por fim influenciar alguns moldavos mais dignos a abandonar o nosso país com vergonha. É que esta gente apesar de não parecer, tem conhecimentos musicais acima do próprio Toy. O que pensando bem, não é fácil. Para além disso, o Ministério da Justiça vai incluir a audição, por inteiro, da discografia do Toy a presidiários que estejam em isolamento. Desta forma, e de acordo com o novo corte das despesas públicas, prevê-se que 4 em cada 5 se suicidem, por imolação. O outro que resta, bem... esse infeliz, se conseguiu suportar esta pena, acredita-se que já tenha pago a sua dívida para com a sociedade.

Saí do meu país
À procura de dinheiro
O trabalho era pouco
Dei em pa... Cozinheiro, e estou triiiiiiiste... (era padeiro, vá)

A vida esqueceu-se de mim
Eu esqueci-me da vida
Ao conduzir, fixei os meus olhos em ti(m)*
Tive um acidente, mas só chapa batida, e estou triiiiiiiste...
*(engenharia fónica)

As saudades eram tantas
Dei comigo a sonhar de dia,
Sonhei que caminhava contigo
E que a gente se perdia, e fiquei triiiiste....

E o refrão:
Estou triste. Estava contente mas agora estou triste.
A vida voltou-me as costas, estou triiiiiiiste.....

Fui feliz na minha terra
A vida era boa
Troquei o meu país
Por esta merda de Lisboa, e estou triiiiiste.... (tem piada, ah ha ah)

Tive aulas de canto
E também de música clássica,
A dicção era mais do que perfeita
E este gajo é uma lástima

Refrão (2x)