quarta-feira, janeiro 19, 2005

Os portugueses no MUNDO!!!

Ricardo Carvalho, Maniche, Ronaldo e Mourinho na equipa ideal de 2004

Portugal tem três jogadores na equipa ideal de 2004 da UEFA e José Mourinho foi eleito o melhor treinador pelo segundo ano consecutivo. Ricardo Carvalho, Maniche e Cristiano Ronaldo são os eleitos e os responsáveis por Portugal ser o país MAIS representado neste onze de sonho.

A eleição decorreu no site oficial da UEFA e foi feita a partir de uma pré-selecção de cinco jogadores por posição já aí Portugal era o país MAIS representado. Houve mais de 1,2 milhões de votos na quarta edição desta iniciativa.

Depois da presença de Paulo Ferreira e Luís Figo em 2003, agora Portugal aumenta a sua presença, no final do ano em que o F.C. Porto foi campeão europeu e a Selecção chegou à final do Euro 2004.

E os Gregos hã??? Ah pois é, ah pois é....

Até lhes roemos as orelhas.

Se esta eficiência chegasse à política ou à generalidade dos funcionários públicos e restante força de trabalho éramos imbatíveis e teríamos um PIB prá aí de 10 pontos de diferença a meio do campeonato.

Temos esperança.

terça-feira, janeiro 18, 2005

Há coisas que nunca mudam!...

Pois é, ele há coisas que nunca mudam.
Acabei de fazer um exame e mais uma vez só sabia metade da matéria. Não é grave porque tb só estudei metade do tempo. Antes destas coisas fico sempre com a sensação que devia ter aproveitado as horas em que estive a pensar nas vantagens de começar a estudar, ou não. E que não fiz nada, claro.
Não é grave sempre está a correr melhor do que quando nem lia uma linha. E agora até vou aos exames. Portanto denotam-se alguns progressos. E depois para que é que uma empresa quer um aluno com médias altas?? Hã? Se alguém souber que me diga.
Existem pessoas que querem ter um currículo invejável. Fiquem saber que eu não quero ser o motivo da inveja de ninguém. Não acho isso saudável. As pessoas terem inveja de alguém é muito mau para a saúde.... digo eu.

Estraga a pele e faz aumentar o colesterol. Friza ao cabelo e seca a boca. Mas pior que isso provoca insónias. Ora eu não quero que na paz do seu quarto, exista alguém que tem inveja do meu currículo. Se a coisa pega, ainda deixo de dormir também.

Bem, mas há mais coisas que nunca mudam...

Um relatório da ONU, recomendou que os países desenvovidos devem dedicar 0,5% do PIB, para reduzir para metade o nº de pessoas em pobreza extrema. (países desenvolvidos?? Portugal tb tem de dar ou ainda vamos receber??)Agora a parte importante, esta medida terá, ou teria, impacto em cerca de 500 milhões de CRIANÇAS, ou se quiserem meio bilião em americano, ou meio milhar de milhão, que sempre tem mais força.

Vamos ver se alguma coisa muda então.

Eles já deram o nome de "Millenium Project". (parece que sabem que nem daqui a mil anos vão convencer as economias a fazê-lo.)

Só não peçam ao Guterres para fazer a conta a 0,5% do PIB, pq arriscamos a dar demais.

sexta-feira, janeiro 14, 2005

A democracia e a ingovernabilidade

Estimados co-leitores deste blog que é pertença de todos nós, é com uma profunda angústia que vejo a pré-pré-campanha eleitoral que decorre nestes dias conturbados da nossa ainda jovem democracia. As premissas que levaram a esta situação são, a meu ver, forçadas. No mínimo... Qual a razão da dissolução da Assembleia? Nenhuma! É um perfeito disparate. A todos os níveis.

Deixem-me dizer que não sou partidário de Santana Lopes, nem fui a favor da sua subida a primeiro ministro. Outra coisa é dizer que que acho que a Assembleia da República deveria ter sido dissolvida naquela altura. Não deveria; o que devia ter acontecido é o Presidente ter juntado à mesa, no âmbito de um verdadeiro pacto de regime, os líderes dos partidos com vocação governativa, e ter nomeado um governo de iniciativa presidencial que tivesse uma linha de governação reformista como se impõe a Portugal, numa altura em que até Chipre, Eslovénia e Malta nos passaram à frente. Mas isso não faz mal. A malta cá aguenta a humilhação, como sempre...

Mas dizia eu: um governo de iniciativa presidencial, isso sim era o que se impunha. Não o destruir de uma maioria parlamentar sem justificação para depois, num debate televisivo, defender a necessidade imperiosa de maiorias para assegurar o ímpeto reformista da nação. Perdoem-me a frontalidade, mas a isto eu chamo hipocrisia.

O precedente aberto por Jorge Sampaio traz-nos de volta aos tempos da 1ª República, em que por divergências ideológicas inconciliáveis nos partidos com assento parlamentar, não existia governo que se mantivesse durante mais de 4 meses consecutivos. Também nesta altura, o país debatia-se com uma grave crise nas contas públicas que não havia maneira de resolver.

Dada a enorme alternância governativa, sempre que chegava um novo governo, tentava mostrar obra na tentativa de ser reeleito. Às vezes funcionava, mas era sempre à custa do erário público. É que o eleitoralismo não é só de agora, sabem?

O resultado da situação política foi o aparecimento do Estado Novo, com o prof. Oliveira Salazar a liderar o país, num estilo governativo mais autocrático e disciplinador, não só em termos económicos, mas também ao nível das liberdades civis.

Hoje em dia, temos as finanças públicas em estado de sítio, e o Presidente em vez de abrir caminho à resolução do probema, abre ainda mais a ferida. Se não gostava de Santana Lopes não o convidava para depois o demitir. Metia lá alguém consensual e que beneficiasse de uma maioria parlamentar.

Não estou a ver nos próximos tempos algum partido a ganhar as legislativas com mais de 46% dos votos. E isso, a par das contas públicas, traz-nos de volta à 1ª República. Agradeço todos os dias a todos os santos de que me lembro, por estarmos na União Europeia. Porque se assim não fosse, não tardava e vinha por aí um homem providencial a salvar a pátria. E eu gosto muito da minha liberdade de expressão. Nem que seja só para dizer merda!

Mas assim, estamos seguros. Não vem lá a figura paternal que nos irá salvar de nós próprios. Iremos tranquilamente viver num turpor imbecilizante, mas feliz, divergindo da Europa, fingindo que não nos apercebemos que estamos a empobrecer a cada dia, e que inevitavelmente, um dia seremos confrontados com a realidade que, ao contrário dos nossos pais, vamos deixar menos ao nossos filhos do que recebemos.


segunda-feira, janeiro 03, 2005

Crónica de passagem de ano

Eram onze da matina e tinha acabado de ligar a televisão. Estava a dar um bloco noticioso especial e o tema captou-me instantaneamente a atenção. Ao chegar a minha mãe, contei-lhe o que tinha visto. 4000 mortos era muita coisa. Nem o atentado às torres gémeas tinha produzido tantos óbitos. Era ago que impressionava... mesmo naquela altura.

Passam-se os dias. Na televisão é sempre o mesmo assunto. Não me recordo de ver um tema tão explorado pelos noticiários desde o desaparecimento da Joana. No entanto, neste último caso, tal parece-me apropriado.

3,2,1,ZERO! Subi para uma cadeira, bebi um pouco de espumante tinto bruto que tão bem tinha acompanhado o leitão e desejei a todos os presentes um feliz 2005. Como não gosto de passas tratei de acender um cigarro. Espero que o efeito seja o mesmo. Não as contei mas penso ter dado 12 passas.

A discoteca escolhida para o resto da noite foi o Batô em Leça da Palmeira. Por 10€ tem-se acesso a duas cervejas e a um ambiente musical diferente. Pixies, David Bowie, Muse, Nirvana, Iggy Pop são nomes que tradicionalmente passam neste local. Como era passagem de ano o preço fixado era 20€. Dava direito a duas bebidas à mesma. Entrámos. Estava a dar música brasileira. Estranhei mas aguardei. Meteram Macarena e outras espanholadas. Nesta altura optámos por ignorar a música conversando, não interessa sobre o quê. Qualquer coisa que distraísse a atenção do registo musical servia... Lá mais para meio da noite, e depois de umas quantas bebidas metem Doors, depois Xutos. A música manteve-se na mesma onda, felizmente, durante uma boa horita. Era o regresso às raízes que tão bom nome deram ao estabelecimento.

Deixem-me fazer um parêntesis para informar que gosto de saber que quando adquiro um bem, sei exactamente em que é que ele consiste, e que corresponde àquilo que pretendo. Quando vou ao Cunha quero comer francesinhas; quando compro O Jogo não busco reportagens do Jet-set mas sim informação desportiva. Regressemos à discoteca.

I will survive de Gloria Gaynor dá o mote para mais uma fuga para o bar. Uma cerveja custa 3€ ou uma senha de 10€. Não sei explicar mas parecia-me mais correcto pagar do bolso a entregar a senha que até já estava paga. Quem pode discutir com esta lógica? Seguem-se YMCA e In the Navy e, para júbilo dos presentes, Dragostea Din Tei. Naturalmente, que a senha que tinha no bolso não demorou a encontrar o seu destino. Não sei explicar, mas o álcool (ou álcaro) funciona muito bem nestes momentos. Esgotado o orçamento e a paciência, dei a noite por terminada.

Chego a casa. O sofá parece-me mais convidativo que a cama. Repouso a cabeça no travesseiro e ligo a televisão. Entre televendas e Euronews optei pela segunda. A contagem já ía nos 100 mil mortos. Olho em redor para apreciar o conforto que tenho como certo. Fecho os olhos. Tamanha injustiça no mundo... 20€ é mesmo caro demais.