quarta-feira, dezembro 29, 2004

Mas que incompetentes?

Fala-se muito neste blog acerca da dissolução do parlamento. Nos media classifica-se a mensagem do prof. Cavaco Silva como o grito de alerta que obrigava a uma medida drástica por parte do Presidente. Cavaco falava na necessidade dos políticos competentes afastarem os incompetentes. Recordo-me de ver o Telejornal nesse dia. À intervenção do prof. seguiu-se a do dr. Mário Soares. Dizia concordar e tecia grandes elogios ao anterior primeiro ministro. (Estranhei, dadas as relações tensas entre os dois quando estavam no poder.) Perguntaram-lhe quem ele achava serem os incompetentes referidos por Cavaco? Respondeu em abstrato, mas identificou-os como pertencentes à maioria de direita. Sócrates, esse antigo JSD, todo o PS e esquerda em geral são competentes na visão de Soares. Não será esta uma opinião sectária? Será Soares a pessoa mais indicada para interpretar as palavras de Cavaco? Poderá um governante pouco competente (A opinião é do próprio mas ele usou a expressão "pouco preparado para governar") ajuizar sobre a competência de outros?

Antes de dar por terminado este post deixem-me só referir um grande momento de televisão. Estava-se nas vésperas das eleições presidenciais norte-americanas e o Prós e Contras fez um debate sobre o tema. Mário Soares era um dos convidados. Fez as suas intervenções pró-Kerry naquele estilo próprio dele, ora distante ora apaixonado, até que perto do final do programa lhe lançam a questão: "Mas então, dr. Mário Soares, o que é que mudava se Kerry fosse eleito?" Ao que o pai da democracia portuguesa responde com um contundente "Mudava tudo. Era a paz no MUNDO!!!" Chamem-me céptico ou pessimista, mas não acredito. E eu até torcia pelo Kerry. A meu ver, as soluções para um mundo caótico e global como o nosso são mais complexas do que as preconizadas pelo dr. Mário Soares. E isto faz-me voltar à questão inicial: Quem são os incompetentes?

Então e as sardinhas!?...

Bem, tenho a impressão que compras na véspera de Natal não são muito pacíficas. Eu já lá estive e chegaram a cair munições terra-ar (e sim, terra---->ar) aí a uns bons 2 metros de mim. Perigoso. Houve até, (vi eu, com estes ouvidos) quem pisasse minas anti-pessoais e ficasse para ali a gemer, qual pai natal atropelado enquanto mudava um dos skis do trenó, ou entalado numa pequena chaminé de cinzeiro. Pois é. Terrível. Terrível.

Há ainda outra coisa. A questão dos artigos únicos. Chegados a uma loja e escolhida aquela prenda especial, que tanto queríamos comprar, há que ter a certeza que não é artigo único. É que se for temos de tomar medidas extra para garantir a sua posse.

Uma delas é agarrar com toda a força o artigo, e depois de bem sentados em cima dele, gritar com os dois pulmões (isto para quem os tiver): "É meu, é meu... não há na merda do mundo, caralho de homem mais forte que me retire a merda da posse deste objecto." (podem acrescentar algumas asneiras, torna tudo mais viril).

A outra é acagaçar-se e perguntar delicadamente se alguém quer comprar aquele artigo e em caso de resposta negativa, pacificamente dirigir se à caixa mais próxima.

A segunda não sei se resulta, a primeira sei que sim. Se alguém visitou a Fnac do Norteshopping por alturas da vespera de Natal, pode ver me em cima de uma empregada a reclamar o que era meu. Vejam lá que até tive de puxar aquele artigo único pelas pernas, tal era a indecisão da moça. Mas valeu a pena. Enfeita agora o cimo da minha árvore de Natal e nas horas vagas também cozinha. Faz outras coisas e tira cafés também. Digo-vos: artigo único esta empregada.

Pois é. Relativamente a esta coisa do aumento consumo e decréscimo do crédito ao mesmo, devo dizer que tenho uma teoria.

Ora vamos lá ver. Em tempos de vacas gordas e isto não tem nada a ver com casa de alterne de segunda, o zé-povo, mais afoito e curto de moeda, recorre ao crédito ao consumo. Perante um cenário de expansão económica, decide comprar hoje aquilo que compraria depois, mediante o pagamento de uma simbólica taxa de juro. Fá-lo (humm!!) porque tem a consciência que poderá pagar mais tarde com os rendimentos futuros.

Enquanto isto, o Zé-povo (agora com maiúscula), mais avantajado, gasta aquilo que tem, e por mera simpatia (ou para incobrir rendimentos) pode recorrer também ao crédito. Como estamos em expansão, títulos da bolsa, fundos das mais diversas espécies, e outras coisas mais, remuneram os seus capitais a uma taxa de juro satisfatória e como possuem maior capital e mais informação, este Zé-povo, guardam algum e decide investir.

Chegada a recessão. O zé-povo deixa de comprar a crédito porque para além de ter que fazer face às complicadas contratações de crédito a que antes deu início, vê-se agora perante uma situação em que não sabe e não consegue prever o futuro e decide refrear o ímpeto de consumir a crédito.

Por outro lado o Zé-povo, vendo os seus investimentos mal remunerados, decide passar alguns a liquidez e comprar bens de luxo e outros que mais, muitas vezes com apenas os juros dessas aplicações. Daqui resulta o aumento nas vendas da Porsche, ou Jaguar, Gucci ou Prada e outras, qd estalou a recessão. (A mercedes não, pq é carro de pobre, desculpa Paulo. É muito fixe o teu carro. Dás me boleia?)

Ora isto aumenta o consumo ou pelo menos aguenta os mesmos níveis e faz decrescer o crédito. Os consumidores são outros. E não me digam que os ricos são poucos.

Por isso é que se diz: " Meu filho, poupa enquanto há." (porque quando não há não vale a pena, dahh...)
Já a formiga tinha razão, mas as cigarras agora também vão aumentar 20 centimos, não é?

Pois é. Por isto e por causa de outras coisas mais feias, é que os ricos ficam mais ricos e os pobres nunca lá chegam. Poupemos então. Poupemos, mas com convicção.

Há ainda outra coisa. O zé-povo habituou se a um nível de vida, não digo acima das suas possibilidades, mas se calhar alto demais para um português. Fê-lo porque o Governo, na altura chefiado por António Guterres (agora perdido nas areias de um pântano, só de cueca fio dental), pintou a rosa um país cheio de buracos. Ferro Rodrigues, seu ministro, deu o que tinha e o que não tinha, quer se trabalhasse ou não. Já vi prostitutas, a auferirem rendimento mínimo a comprar um Opel Tigra novo a pronto (a pronto quero dizer a nota batida).
Ou o rendimento não é mínimo ou a profissão dá mesmo dinheiro.

Ainda este fim de semana vi oferecerem cerca de 1500 euros a um gajo que está a receber do fundo de desemprego, e ele disse que preferia estar como está. Devo dizer que o salário era mais do que o normal para a função que iria desempenhar. Sendo que incluia um prémio de produtividade e que poderia atingir uma remuneração maior. O que vai acontecer é que vão acabar por contratar um brasuca, que por pouco mais de metade me faz mesmo e com mais vontade.

Bem mas isso não interessa nada. Estavamos naquilo do poupar...

Há quem diga que isto está muito mal. E está mesmo. Ou se calhar estavamos a viver com base em realidades construidas.
Quem queria um carro, dirigia-se a um stand e comprava, quem queria uma casa, dirigia se a uma imobiliária e comprava, até com bonificações de juros. Tudo isto apenas com um recibo de vencimento.

Em termos históricos, até há bem pouco tempo famílias viviam todas na mesma casa e carros... bem... eu joguei há bola, todas as tardes, numa estrada nacional até aos dez anos e nunca fui atropelado. Actualmente, durava cerca de 30 segundos, inteiro.
Há cerca de 40 50 anos não havia onde comprar nada, e cultivava-se o quintal. Uma sardinha dava para três pessoas e o resto era pão cozido em casa e nabos do nabal.

Hoje, uma costeleta de porco, não chega para um e tudo o resto é comprado. Mas das duas uma. Ou o raio da sardinha era mesmo cara na altura ou o porco ficou subitamente barato. Também pode acontecer que as sardinhas naquele tempo fossem MESMO ENORMES e dessem realmente para três se fartarem, não sei.

Meus caros, um país faz-se com o tempo, (como todas as coisas) e ainda ontem tínhamos uma ditadura. Há que ter calma, trabalhar e poupar. Mas com convicção.

Hoje em dia há quem morra com a dita dura mas isso é por causa daqueles comprimidos azuis.

Umacoisa curiosa: Segundo estudos credíveis (não é invenção) se Portugal tivesse uma produtividade ao nível da Bélgica, para produzir o nosso PIB, bastaria trabalhar até dia 30 de Junho e o resto eram férias.... Bastaria portanto trabalhar metade do ano!!!! ( mas esperem já é assim, não é? Trabalhamos apenas metade do dia).

Há quem diga que é culpa do patronato. Há quem diga que é culpa da força de trabalho. Para mim é culpa dos dois, mas alguém tem que ceder e para que se faça alguma coisa.

Agradeço que alguém me confirme o tamanho das sardinhas nos anos 50, e diga alguma coisa.


quarta-feira, dezembro 22, 2004

Crise política… crise económica… recessão???

Estou confusa… uma vez que toda a gente entende, ou pretende, compreender a macroeconomia, achei por bem também meditar sobre o assunto…

Três dias atrás li um artigo sobre o estado da nação e descobri que o crédito ao consumo diminuiu, mas o consumo aumentou… agora digam-me lá como é possível este acesso de liquidez (principalmente nesta magnifica época natalícia onde o consumo vigora)?

As taxas de juro estão baixas e estáveis (consequência de definições da UE), o que faz com que não haja propensão para a poupança, logo viva o consumo. Até aqui tudo bem…

Os preços dos bens também não têm variado muito (a UE preza a estabilidade dos preços), já estão praticamente ajustados à média europeia… começa o problema!

Os salários não têm aumentado drasticamente. Têm, digamos, acompanhado as tendências inflacionistas… ou seja, variações em torno dos 2%, mas muito perto (diz o banco Europeu). Assim sendo como o consumo aumentou??? Se o crédito diminuiu, supostamente o consumo deveria acompanhar… não entendo!!

Ainda hoje tive uma hora para conseguir comprar um mísero livro num shopping conhecido… tudo bem que é Natal, mas não deveriam por ventura as pessoas estar conscientes das dificuldades do país??? Ou será que anda tudo com a ideia de ‘recessão psicológica’, apontada por uma dondoca na televisão, que de loira tinha tudo??

Devo é ser a única a estar preocupada com a situação… é que sim, estamos em recessão e o pessoal continua a actuar como se nada fosse… até a nossa excelente classe política não está para aí virada, gastos para compreensão do orçamento são essenciais… que se lixe o défice… se pagarmos multas o problema é do povinho!!!

e mais... BOM NATAL!!!! ;)

sábado, dezembro 11, 2004

Assim é a Vida

Hoje também fiquei triste...

A tristeza que se abateu sobre o meu ser, nada tem a ver com o discurso do nosso Presidente da Republica (ainda é o mesmo??? certo???) mas sim, ao discurso de um grande amigo, que pouco mais dizia do que: " pois", "é complicado", mais gostaria eu de ter ouvido, de facto, muito muito mais adorava ter ouvido mas a dura realidade é que mais não ouvi. E assim fiquei...

Para mim, a vida é baseada em duras realidades e hoje, infelizmente, constatei mais uma, é incrível como o comodismo e o medo de enfrentar novas realidades nos fazem cometer barbaridades mas: Assim é a Vida.


sexta-feira, dezembro 10, 2004

Ok. Até agora tudo bem… mas e agora para destituir o Presidente como é que se faz?

Estou muito triste hoje. Quando o Presidente remeteu para hoje a comunicação ao país, por forma a explicitar as razões para a dissolução da AR, (e não do Governo, atenção), pensei que existiam coisas que só ele sabia, e que nós, os comuns, devíamos ser avisados do perigo a que eventualmente estavamos expostos. Mas não. Não o fez. Limitou-se a gaguejar aquilo que toda a gente já sabia. Que não existiu motivo nenhum. Nenhum. A não ser a porque o PS agora já tem um candidato credível. Mas não quero ser faccioso.

Ora desde quando a demissão de um ministro provoca a instabilidade necessária para que este Belenense pense em pôr termo a uma legislatura?
Será que uma contradição ou duas, pronto… mas será que isto é o suficiente… Será que não saber fazer a conta a 6% do PIB, ou mesmo a própria tentativa, não deveria originar a mesma punição?

Todos devemos saber que esta segunda fase da legislatura foi um pouco peculiar é certo. Mas talvez seja prudente contextualizarmos este Governo.

Nasce numa fase em que esteve dependente da decisão do Presidente. Todos estão, mas este de uma forma diferente, e que todos conhecemos. Nasce sem tempo para que o líder definisse uma estratégia ou no mínimo, sem tempo para internalizar a estratégia já definida.

Depois de se pôr em causa se seria ou não uma boa opção deixar Santana governar é óbvio que fragilizou a posição do primeiro-ministro, e isto leva tempo a inverter. Depois, isto tem um impacto negativo na opinião pública. Dizer que vai acompanhar a governação atentamente, gera desconfiança no povo. Até porque essa é uma obrigação constitucionalmente sua. Expressá-lo à boca grande é neste caso dizer que está com medo da sua própria decisão… ora se está com medo, e tem dúvidas devia então optar por eleições e pronto. Duas coisas, ou deu-se conta que a fragilidade do PS, os levaria a perder as eleições ou então teve dúvidas e não teve coragem.

Parece as crianças. Empresto-te a minha bola se não chutares muito alto e olha que eu estou a ver… mas quando se chateou de ver brincar os outros e chegaram os amigos dele para jogar, tira-lhe a bola para poderem brincar sozinhos.

Isto para já vai correr mal. É minha convicção que Santana vai ganhar as eleições. Para nosso bem, ou para mal dos nossos pecados.


Este Presidente chama até si a enorme investidura de dissolver a AR, mas deixa que sejam os outros a decidir se querem ou não aprovar o orçamento…

E diz que vai promulgar o orçamento geral do Estado, embora não concorde com ele porque não garante eficiência para controlar os gastos. È a mesma coisa que dizer… Não podes jogar à bola connosco, mas se quiseres joga e és guarda-redes. Se quiseres defendes. Se quiseres deixa entrar os golos. O que é isto?

Depois o discurso. Diz que é contra o orçamento porque não serve ao país e não responde a uma estratégia de redução de gastos públicos, que não cumpre o deficit mas vai promulgá-lo. Isto apenas porque queria ver os funcionários públicos com salários reais mais altos. Não cumpre o deficit mas o melhor é elevar os salários. Oh, valha me alguém…

Depois em vez de ter a coragem de assumir a responsabilidade total, remete para a opinião pública. E diz que o povo apoiou a sua decisão. Claro. É verdade. A malta gosta desta chafurdice. Mas então ele sabia disso quando tomou a decisão??? Pronto então. O gajo é soberano vidente e bruxo. Não são precisas eleições. Ele tem um termómetro que mede a opinião pública, incluindo abstenção e tudo. Não são precisas eleições. Ele já sabe quem ganha. Porra que gajo futurista. Que cabeça e que visão. Onde é que ele viu opinião pública?? Na filtragem da imprensa? Só se foi. Não tive conhecimento que a Brigada de Belém tenha vindo aqui a casa perguntar.

Então toma a decisão e diz que foi porque nós pedimos. Dass, que homem de tomates.

Diz ele que o Governo que sair das próximas eleições, vai durar 4 anos. Já tive fé nisso. Mas ela morreu há poucos dias. Quem me garante que não acontecerá o mesmo, daqui a um ano ou dois. Basta ele sonhar.
Aqui chegamos onde eu queria. É que este precedente em vez de garantir a saudável democracia, abala-a. E de uma forma que até hoje eu ainda não tinha visto. Mas eu também nasci ontem. E se Sócrates ganhar as eleições sem maioria absoluta? Vai dar posse a um Governo com menores condições do que este para Governar? Ou não? Ah, mas ele sabe o que a opinião pública quer... logo não terá dificuldades em decidir. Como não teve quando o Guterres andou a chafurdar na manjedoura. A patinar em tudo o que era chiqueiro.

Quantos Governos são desde há vinte anos? 16? Tenho que confirmar isto. Mal ou bem a Espanha só teve 4. Talvez por isso se tenham conseguido definir estratégias globais para um país. Eram piores que os portugueses? Não sabemos. Sabemos sim que vamos ficar mais nove meses ao sabor dos bons ventos e das marés. Mas também foi assim que fomos longe, com a ajuda dos ventos e das marés. De barquito por aí fora.

Afinal este Estado democrático está preso pelas mãos do Presidente, a manjerona deste jardim à beira mar, mas mal plantado. A saudável democracia. O povo é soberano e ainda bem que este gajo tem o tal termómetro porque senão…

Acho que o Mário Soares tinha razão… Isto está mesmo a saque. Mas dos gajos da casa grande.

Falta só uma coisa. Quando foi para decidir se deixava o partido mais votado nas eleições formar novo Governo, com Santana Lopes, ouviu toda a gente e tornou a ouvir e pensou, pensou, pensou, ouviu e pensou, pensou, pensou…
Desta vez, foda-se decidiu e depois, pensou, pensou, pensou, ouviu e pensou, pensou, pensou… Quanto a mim, errou das duas vezes.

O post primeiro.

Pretende-se que este blog, entre outras coisas permita manter as conversas em dia. As opiniões daqueles que nos rodeiam, especialmente aqueles que nos são queridos, são importantes porque ajudam a formar-nos enquanto seres humanos e cidadãos.
Na nossa luta diária, falta-nos tempo para expôr as nossas preocupações, interesses e opiniões, e para ouvir as daqueles que nos são caros. Espero que para além de o permitir, este blog fomente este elemento particular da humanidade que é o de conversar. Crescer e fazer crescer.
É minha intenção que este permaneça actualizado e que as conversas e opiniões sejam debatidas. Seja de um modo ligeiro ou de um modo caloroso, o importante é que sejamos nós próprios.
Por isso, não guardem nada para vocês e coloquem tudo aquilo que pensem ter interesse.
Espero que este blog se revista de um interesse especial para todos e que sintamos a necessidade de o visitar frequentemente.
E como disse alguém, as opiniões são como as notas de 500 euros, quem as quiser dar, que as dê. Por isso deêm-me as vossas.